© Guto Muniz

NÃO DESPERDICE SUA ÚNICA VIDA ou...

estreia em 2005

Sinopse

O espetáculo Não desperdice sua única vida ou… apresenta fragmentos de relatos autobiográficos dos atores que se mesclam com personagens inusitadas como o Apresentador do Mundo, o Ator sem Personagem, o Homem das Etiquetas, o Homem das Oportunidades, a Louca da Academia  e a Mulher da Fila, compondo um mosaico para contar um pouco da vida de cada um e de todos nós.

O espetáculo estreou em 2005, sob direção de Cida Falabella. Investindo em espaços não-convencionais, o trabalho foi criado de modo a estabelecer  uma relação intimista com o público.

A peça parte do discurso épico-dramático, onde os atores reabilitam o lugar do narrador – um ator rapsodo, na expressão de Luiz Arthur Nunes. Inspiradas no distanciamento brechtiano, há interferências que desconstroem e fragmentam a cena, propondo recortes reflexivos. Logo de início, a plateia era dividida em seis grupos, que tinham contato com cenas diferenciadas – cada qual fornecendo códigos diversos para o espectador. A provocação dos vários títulos – seis – pode ser compreendida neste contexto, já que o público se encarregava de juntar as peças ao longo do espetáculo.

Investindo em espaços não-convencionais, o espetáculo foi montado de modo a estabelecer uma relação intimista com o público, limitado a um número reduzido de pessoas (conforme o local da apresentação).

Na proposta, relatos autobiográficos dos atores mesclavam-se com personagens inusitadas. E, mesmo quando se manifestam, as personagens não traziam contornos psicológicos definidos. Especialmente seis delas foram construídas a partir da representação de idéias ou funções genéricas, como nos Autos da Idade Média. Têm-se o Apresentador do Mundo, o Ator sem Personagem, o Homem das Etiquetas, o Homem das Oportunidades, a Louca da Academia, a Mulher da Fila e inúmeros outros que surgiam em torno das cenas.

Alguns textos literários serviram para deflagrar o processo. Os atores elegeram quatro obras com temáticas que lhes eram significativas e apresentaram à diretora Cida Falabella pequenas cenas-instalações, num diálogo inicial. Ainda que o espetáculo não traduzisse uma teatralização desses textos – aos quais se somou posteriormente a leitura de Por Um Fio (Drauzio Varella) e do prefácio de Seis Personagens à Procura de Um Autor (Pirandello), as questões suscitadas se presentificaram no material final, pela criticidade, humor e poética sugeridas por aquelas obras – coincidentemente seis.

Matérias jornalísticas, crônicas, classificados de oportunidades, revistas e programas televisivos também instigaram os motes das improvisações sobre as contradições, precariedades e ironia cotidianas. Inclusive um belo texto do escritor Sebastião Nunes empresta seu título ao primeiro dos seis nomes do espetáculo: Não desperdice sua única vida. Da mesma forma, o escritor e dramaturgo Fernando Bonassi gentilmente cedeu um fragmento de seu manifesto Nós Fazemos Teatro, texto que mobilizou reflexões levantadas durante o processo criativo.

NO BRASIL

Belo Horizonte, Curitiba e  Uberaba

Críticas e comentários

Ficha Técnica

Concepção: Cida Falabella e Cia. Luna Lunera

Direção: Cida Falabella

Atores: Cláudia Corrêa, Cláudio Dias, Fafá Rennó, José Walter Albinati, Marcelo Soul, Maria Alice Rodrigues e Odilon Esteves

Coordenação Dramatúrgica: Cida Falabella

Preparação Corporal: Alexander de Moraes

Preparação Musical: Valéria Braga e Maurílio Rocha

Cenário e Figurino: Marco Paulo Rolla

Iluminação: Alexandre Galvão e Wladimir Medeiros

Oficina de Narração: Elisa Almeida

Oficina de Patinação: Cláudio Araújo

Oficina de Yoga: Gizele Rodrigues Batista

Produção Executiva: Clarice Castanheira

Direção de Produção: Cláudio Dias