E AINDA ASSIM SE LEVANTAR
Espetáculo do portfólio com estreia em 2019
Sinopse
Como encontrar forças para seguir em frente? Como manter a esperança e o desejo com todas as ameaças no futuro? Como ainda ajudar e ouvir o outro quando se está prestes a cair? Como continuar quando nossos corpos não aguentam mais? Como ainda acreditar quando o discurso de ódio nos cerca? Como podemos encontrar o que nos une quando as lembranças que voltam expressam o que nos dividiu profundamente? Como fazer teatro quando a palavra se tornou perigosa? Não temos respostas, mas sabemos que não vamos desistir.
Saiba mais
O espetáculo E Ainda Assim se Levantar estreou em agosto de 2019 e conta com direção de Isabela Paes. O ponto de partida para a criação do trabalho, que celebrou os 18 anos da companhia, foi o projeto de pesquisa “a potência da precariedade”, que durante todo o processo de criação levantou questões que buscam identificar como podemos encontrar força em situações de iminente esgotamento, pessoal, social ou político.
Com atuação de Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho, o espetáculo aposta na reconfiguração da proposta de história, personagens e cenário para dar lugar à potência dos corpos como principal instrumento de criação. “Queremos abdicar da teatralidade para encontrar o que o teatro possui de mais potente: a possibilidade de explorarmos atravessamentos que só acontecem na copresença”, explica Isabela Paes.
De onde podemos encontrar forças quando parece que não podemos aguentar mais? Momentos assim são paradoxais. Como dizia o poeta Holderlin, onde mora o perigo, é lá que também cresce o que salva. Essa é uma das reflexões que motivaram a criação do espetáculo. E é preciso defender o que nos salva, defender nossa alegria. A musicalidade do espetáculo – executada pelos próprios atores que cantam e tocam instrumentos percussivos – é um dos principais recursos que apontam o caminho. Cláudio Dias explica que “buscamos na valorização da alegria, por meio da música e do carnaval, uma forma de respiro potente como maneira de apoiar nosso movimento de sobrevivência.”
O espetáculo promove um encontro mediado por três pessoas: um homem jovem, uma mulher e um homem maduro. O Homem Jovem parece sempre estar no caminho certo, rumo ao sucesso, à vitória, à realização. O topo. Mas, na própria corrida sem tréguas, sente que se perdeu no fundo de tanto otimismo e certeza. Todos os dias, ele tem vontade de chorar. Tenta entrar em contato com o menino que pede colo dentro dele. Tenta quebrar a máscara de ferro moldada para esse homem. Tenta desfazer os inúmeros nós em sua garganta.
A Mulher não consegue identificar ao certo de onde vem o cansaço. Cansada de ter que provar tudo o tempo todo. Cansada de ter que ser forte para conseguir ser ouvida. Cansada de ter que mostrar que não quer ser objeto de desejo. Cansada de chorar todos os dias. Cansada de ter que trabalhar tanto. Cansada de ter que vestir um personagem na vida. Mas ela também não vai desistir. Seria como perder-se de si mesma. Encontra no outro, no jogo, nesse encontro aqui e agora e em sua própria voz as faíscas que a reacendem. E, às vezes, por breves momentos, conseguimos vê-la por inteiro. Sabe que é preciso defender a alegria.
O Homem Maduro sempre ia à frente, mas está cansado da luta, cansado dos golpes. Parece difícil continuar sendo artista, gay, ativista, mas ele não sabe ser outra coisa senão ele mesmo. A caminhada foi longa e sente a idade, o corpo envelhecendo, as inúmeras derrotas. Pensa em desistir. Não consegue nem mais chorar. A morte ronda. Mas para ele talvez não tenha outra saída, enquanto estiver vivo vai insistir em viver. Insiste pelo toque. Tocam-se os corpos. Tocam-se os tambores. Renasce pela música, mas sabe que a cada dia deverá renascer novamente, insistir. A batalha não está ganha. Ao contrário, está longe de terminar.
Turnë
NO BRASIL
Belo Horizonte, Contagem, Divinópolis, Barbacena, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Paulo
Críticas e comentários
Ficha Técnica
Direção: Isabela Paes
Dramaturgia: Marcos Coletta e Cia. Luna Lunera
Assistência de direção: Cláudio Dias
Atores/criadores: Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho
Figurino: Camila Moreno e Cia. Luna Lunera
Cenário: Ed Andrade
Criação de luz: Marina Arthuzzi
Vídeos: Fabiano Lana
Design: Rafael Maia
Fotografia: Kika Antunes
Estagiário de Comunicação: Marco Túlio Bayma
Produção Executiva: Nathan Coutinho
Direção de Produção: Isabela Paes
Produção: Cia. Luna Lunera