CURTA-METRAGEM NESTA DATA QUERIDA

Duração: 30 min. Gênero: drama. Classificação indicativa: 18 anos.

Em 2021, a Cia. Luna Lunera lançou o curta-metragem “nesta data querida”. A produção é uma adaptação do espetáculo homônimo da Cia., criado em 2003. O lançamento da obra integrou a programação comemorativa da Mostra Luna Lunera 20 anos.

SINOPSE 

No aniversário de seu filho, Antonieta recebe a visita de dois convidados inesperados: Erre, dono do salão onde ela esteve naquele dia pela primeira vez, e Rosa, antiga cliente do cabeleireiro. Os três tentam se entrosar numa conversa aparentemente trivial e vão se revelando.

FICHA TECNICA

Elenco: Cláudia Corrêa, Cláudio Dias e Fafá Renó. Direção: Juliana Antunes. Roteiro: Guilherme Lessa.

O filme é a primeira incursão da Luna Lunera no cinema e foi produzido no contexto da pandemia de COVID-19. Cláudio Dias, um dos integrantes do elenco, ressalta que a linguagem do espetáculo Nesta Data Querida foi um fator que contribuiu na escolha da adaptação. “É o espetáculo da Luna que mais flerta com o cinema. A gente já identificava essa vocação desde o início, em função do texto, dramaturgia amarrada, personagens bem construídas, isoladas nas suas solidões e complexidades. Já sinalizava um bom roteiro de filme”, completa o ator.

Para a cineasta Juliana Antunes, que assina a adaptação e direção do filme, outro fator decisivo para as escolhas do roteiro e filmagem foi o orçamento enxuto. “Adaptamos tudo – desde a concepção criativa até a dinâmica do set. Fazer o roteiro funcionar com poucos recursos técnicos, em uma única locação, com equipamentos emprestados, tempo curto de pré-produção e de set e equipe reduzida sem sobrecarregar as pessoas envolvidas. Penso que em processos com orçamentos mínimos, os filmes se adaptam às equipes e não o contrário”, afirma.

Reconhecida por trabalhos como o longa “A Baronesa” e o curta “Plano Piloto”, Juliana estagiou na Cia. Luna Lunera quando ainda era estudante de Cinema. Ela ressalta que o encontro com a Luna foi um entendimento da profissão do artista. “Quando fui trabalhar lá, vi uma rotina árdua, coletiva, cheia de editais, diligências, reuniões, ensaios e muito, mas muito trabalho coletivo. Ali entendi que trabalhar com arte era algo maior que criar. A partir daí passei a dirigir filmes e é uma grande emoção voltar para dar ‘rec’ em quem me mostrou cotidianamente como se faz arte e tem uma vida a partir dela”, conta.

Em função da pandemia, os ensaios começaram de forma virtual via plataforma Zoom, a partir de leituras do texto da peça. Depois os atores passaram para o roteiro do filme. “Como o texto sofreu poucas mudanças ele voltou rapidamente para a boca e corpo dos atores. Foi só acertar o ‘volume’ da atuação para o formato cinematográfico”, conta Cláudio Dias. Um encontro virtual do elenco, produção e diretora com o dramaturgo da peça Guilherme Lessa também foi realizado para troca de informações sobre a obra e as personagens.

Depois de alguns ensaios presenciais, a companhia partiu para a locação para testes de luz, câmera e cenário. As gravações aconteceram na casa do cantor e ator Marcelo Veronez, no bairro Sagrada Família. “Uma casinha aconchegante e antiga que se mostrou perfeita para virar a casa da personagem Antonieta. Elementos como a solidão, o enclausuramento e o desejo de se estabelecer contatos sociais, presentes na versão original, naturalmente foram explorados no curta, todo feito em locação única”, contextualiza Cláudio. No total, foram três dias de gravações que começavam às 16h e seguiam até a madrugada. “O fato de contarmos com os atores-criadores originais do trabalho contribuiu bastante para o projeto. Mesmo sendo um roteiro adaptado, os diálogos fluíram de forma rápida e tranquila”, diz.